Por que terceirizar a logística de última milha não funciona

Por que terceirizar a logística de última milha não funciona

Por que terceirizar a logística de última milha não funciona

20 February 2017

Se você fizer uma rápida busca no Google, você verá que uma série de empresas de “Delivery as a Service” apareceram recentemente, todas tentando assumir suas operações de logística de última milha. Com promessas de aumento de transparência, uso de menos pessoas e a capacidade de pagar conforme o uso vêm custos que normalmente não conseguem ser escaláveis.

Ao decidir entre montar uma frota de veículos próprios ou terceirizar as entregas para um provedor de serviços, existem muitas coisas que uma empresa que entra no mundo on-demand precisa levar em conta. Se não forem pesadas com cuidado, questões acerca dos volumes de entrega esperados, acesso a capital e trabalho contínuo, e planos de expansão futuros podem tirar do eixo um novo projeto antes mesmo que o primeiro kit de refeições de dieta paleo seja entregue.

O serviço de compartilhamento de automóveis Sidecar foi uma das primeiras companhias B2C a expandir seus negócios para o mercado de delivery, antes de encerrar suas operações no fim de 2015. Ao anunciar esse movimento como Pessoas + Pacotes: o futuro da entrega no mesmo dia, a Sidecar precificou as entregas em um raio de 5km em uma média de US$ 10,66 por pacote e US$ 15,83 para distâncias entre 5 e 13km. Embora os clientes recebessem descontos por prever suas necessidades de demanda com antecedência e reservar capacidade de entrega, essas taxas estavam longe de tornar a empresa “a solução de entrega no mesmo dia mais rápida, mais barata, fluida e escalável”

Quando uma refeição para uma pessoa custa em média US$ 15, não há como essas companhias colocarem 70% desse valor somente no sistema de entrega. Ainda assim, surpreendentemente as taxas do Sidecar estão alinhadas às escalas de preços publicadas por empresas como UberRush e Postmates.

Caso você não tenha ouvido falar, tanto Uber quanto Postmates oferecem agora a possibilidade de terceirizar suas operações de entregas para suas frotas de motoristas e parceiros de entrega. Para eles é uma relação ganha-ganha, aumentando a monetização e incentivo ao uso de uma força de trabalho faminta por volume. Cada serviço promete trazer a “experiência Uber” para todo e qualquer negócio, oferecendo entregas on-demand ou agendadas. Isso inclui o tracking do recebimento, planos de pagamento flexíveis de acordo com o uso e a possibilidade de planejar com antecedência e otimizar rotas de entrega.

Algumas novas empresas nesse ramo, incluindo a Din, optaram por utilizar entregadores terceirizados e redes de motoristas, em vez de montar suas próprias frotas. Ao utilizar a infraestrutura já existente para operações on-demand, os custos iniciais de recrutamento e treinamento podem ser eliminados, enquanto a empresa busca desenvolver sua solução para alcançar a melhor combinação produto-mercado. Essa estratégia também permite mais flexibilidade e uma expansão de mercado mais rápida, mas será que isso faz sentido para a maioria das empresas dependentes de entrega?

Para responder a essa pergunta, analisamos os números de mais de 1,5 milhão de entregas completadas nos últimos 12 meses e que usaram o sistema da Onfleet.

Considerando uma distância média de entrega de 5km e uma duração de 12,4 minutos, os estudos econômicos mostram que a adoção desses serviços em ampla escala tem custos proibitivos. Utilizando as taxas aplicadas nas cidades piloto do Uber e do Postmates – San Francisco, Nova York e Chicago – chegamos a custos médios de entrega mais altos que aqueles oferecidos pela Sidecar.

De fato, quando comparamos os custos de simplesmente manter as operações de entrega in-house, a distância se torna ainda maior. Para calcular o custo de manter uma frota própria, mais as funcionalidades de rastreamento de cargas que os clientes se acostumaram a ter, levamos em conta o salário mínimo de cada cidade, mais 50% para cobrir os custos de combustíveis e do veículo, e os custos adicionais de software.

Resultados: em média, uma frota própria é 46% mais barata que o UberRush e 50% mais barata que o Postmates. Assumindo um volume modesto de 2000 entregas mensais, isso significa uma economia mensal de US$ 6.292,00 em relação ao UberRush e de US$ 7.785,00 sobre o Postmates – recursos essenciais que uma startup ou um negócio já estabelecido pode usar para contratar mais um engenheiro, comprar uma máquina de cappuccino top de linha para o escritório ou reservar meia dúzia de automóveis Tesla Modelo 3. É evidente que a economia gerada somente aumenta quando os volumes de entrega crescem.

Brincadeiras à parte, devido à relativa infância dos projetos B2B do Uber e Postmates, o serviço ainda está limitado a grandes áreas metropolitanas nos Estados Unidos. E assim como acontece com os produtos que não são o centro dos negócios, existe uma possibilidade de que as empresas decidam interromper novos investimentos e suporte a esses projetos. Quando o Sidecar encerrou suas operações, os clientes que tinham confiado em seu serviço de entregas tiveram que buscar outras alternativas. Muitos ficaram no escuro por semanas, ou para sempre, incapazes de lidar com a demanda dos clientes na ausência de um componente de missão crítica para suas operações logísticas.

Além da redução de custos inerente, escolher a opção de recrutar seus próprios entregadores permite ter um nível de qualidade, controle e consistência que não pode ser obtido nas alternativas hoje disponíveis no mercado. Para muitos no mercado on-demand – que existe em aplicativos e não em lojas físicas – a experiência de entrega é, frequentemente, o único ponto de contato direto com o consumidor final. Terceirizar a face de sua empresa para a porta giratória dos prestadores de serviços do Uber ou do Postmates significa desperdiçar um ponto de contato e canal inestimável.

Além do mais, investir em um modelo próprio traz a liberdade de definir seu próprio modelo de negócios e oferta de produtos. De acordo com a FAQ do UberRush, os seguintes produtos estão expressamente proibidos: pessoas, animais, álcool (ou qualquer produto que exija uma identificação pessoal), medicamentos, itens ilegais ou perigosos e produtos “que você não tenha permissão para vender”.

Embora o raciocínio por trás de algumas dessas restrições seja óbvio (entregas de tigres vivos são tão coisa de 2015), se você é uma das muitas startups do mundo on-demand entregando maconha, álcool ou lanches do In-N-Out, precisará buscar em outro lugar a solução para suas demandas de entrega.

Você envia itens grandes periodicamente? Se esse é o caso, você não poderá contar com os motoristas do UberRush, que estão limitados a 25kg para carros e 15kg para bicicletas. A loja de cacarecos favorita só aceita dinheiro? Boa sorte. A equipe de entregas do Uber não está autorizada a comprar itens para entrega, o que significa que você precisará encontrar uma forma de pagar antecipadamente qualquer entrega de supermercado ou restaurante antes que o motorista chegue. O cliente está atrasado para encontrar o carro de entrega? Os mensageiros do Uber esperarão no máximo por 5 minutos em um determinado local antes de marcar o pedido como “impossível de entregar” e devolver o pacote ao local de início – tudo às suas despesas.

No ambiente morno dos investimentos de risco de hoje em dia, as startups não podem se dar ao luxo de sustentar modelos de aquisição de clientes baseados somente no gasto indiscriminado de dinheiro. Não é preciso dizer que minimizar os custos operacionais que fazem parte de cada ordem de entrega tem um impacto direto sobre os lucros e, dessa forma, sobre a sobrevivência da empresa no longo prazo.

Em alguns casos, você descobrirá que faz sentido terceirizar, ao menos inicialmente, para evitar investimentos desnecessários enquanto você testa novos mercados ou atende picos sazonais de demanda. Entretanto, assim que os volume de negócios permitirem, mover suas operações para dentro da empresa parece ser a única forma de alcançar uma escala lucrativa.

Co-Founder & CEO at Onfleet

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